Portugues
PROLEGÔMENOS.
...do início. devemos mais a ele do que a Moisés) há 5608 anos, no mês primaveril antes da *epocha* do período de 144 anos, num dia ao qual corresponde o vigésimo sétimo dia do mês cesáreo de Abril, quarto da semana, no qual foram criados os luminares. Também isto todos os astrólogos, se realmente amam a verdade, hão de confessar que ignoraram: que, partindo de diferentes inícios de períodos, resultam diferentes posições dos equinócios no mesmo momento, as quais ora ditam ao Sol estar em 27 de Abril, ora em 27 de Maio, ao mesmo tempo em que as cegonhas e andorinhas anunciam-nos sua chegada. Para que estas não abandonem suas estações habituais, sou eu o autor da proposta de que se use somente aquele período que se desenvolve num ciclo de 592 anos. De outro modo, em vez dos chifres de Áries, irão chocar-se com os chifres de Touro. Mas, novamente, não posso dissimular meu estupor. Pois acima dissemos que no primeiro ano do Mundo profético o equinócio caiu em 23 de Abril, *feria septima* (sábado). Aqui, porém, é quatro dias mais tarde. Por que não? Se no mesmo momento estava em 27 de Maio, que impede que esteja também ali, em qualquer lugar onde algum período fixe seu acampamento? Há que experimentar se aquele período, deduzido a partir de 27 de Abril, nos conduz pela mão até o equinócio de Nabonassar, que dissemos acima ter coincidido com 28 de Março, no ano do mundo profético 3258. Haviam transcorrido cinco períodos, aos quais cabem 25 bissextos: e restam 298 anos, em que se acumulam mais dois bissextos. Resultam, ao todo, 27 bissextos, os quais, deduzidos de 27 de Abril, deixam o início do ano em 31 de Março, três dias depois do equinócio. Novamente, no ano do Mundo profético 1772, o equinócio estava em 8 de Abril, donde o início da *epocha* de Semíramis dos Babilônios. Haviam transcorrido três períodos, menos quatro anos. Portanto, os quinze bissextos que daí resultam, deduzidos de 27 de Abril, terminam em 12 de Abril, quatro dias depois do equinócio. Se, pois, os bissextos de qualquer período, somados ao meio-dia de 10 de Março, constituem o equinócio do primeiro ano da criação, então os bissextos do segundo período o constituirão em 17 de Abril. Pois desde o primeiro ano da criação profético até o ano 5609, transcorreram 12 períodos com 233 anos, nos quais se contam quase 38 bissextos: estes, computados a partir de 10 de Março, terminam em 17 de Abril. Assim, dentre estes três períodos divinos, o primeiro fixa o equinócio em 27 de Maio, o segundo em 27 de Abril, o terceiro em 17 do mesmo mês. Iô, triunfo! Vivam os profetas! Caiam os argumentos de Escalígero, menos prováveis, isto é, ineptos. Até aqui expusemos por partes a doutrina profética dos tempos, com a qual os argumentos escaligerianos, menos prováveis e ineptos, são golpeados com poderosíssimo aríete. E não há dúvida de que já desabaram. Com tanto ímpeto este Demétrio πολιορκητής (sitiador de cidades) começou a abalá-los, para que não mais ocorram frequentes contendas entre os profetas e Escalígero, que não senão infelizmente travou combate corpo-a-corpo com ele.
Levemente armado, com espada nua e escudo branco sem glória.
Se quisesse referir tudo, não haveria fim para o escrever. Os demais portentos, e sobretudo aqueles em que ele me censura, ainda que melhor fosse passá-los todos em silêncio, contudo recolher uns poucos dentre muitos não nos será fardo, nem aos Leitores enfado. Pois são engraçados, e dignos de Demócrito, como aquele em que repete em mais de seis ou sete lugares: que Nabonassar foi o príncipe dos astrólogos de seu tempo, e foi ele o primeiro de todos a definir o modo do mês lunar, e que dele a doutrina do ano lunar foi transmitida a todas as nações. Porque viu em nossa obra *de emendatione temporum* que nenhum eclipse lunar é produzido sem a *epocha* de Nabonassar, este perspicacíssimo varão concluiu que Nabonassar — em quem antes nem em sonhos havia pensado — coletou tais eclipses e demonstrou o modo do mês lunar. Daí, pois, fez de Nabonassar — invasor do império babilônico, e talvez nem mesmo conhecedor das letras (pois para que letras a um homem militar e usurpador de um império alheio?) — o sumo dos astrólogos. Ergo, porque Ptolomeu muitíssimas vezes, e Albatênio não raro, atribuem a Filipe os eclipses dos astros e outras observações, deste modo Filipe Arrideu também terá sido sumo astrólogo. Diocleciano também não poderá escapar de ser tido como máximo astrólogo, já que de sua *epocha* o comentador de Theon de Ptolomeu costuma datar um eclipse lunar e outros. Mas também aquilo, claríssima e verdadeiramente: que Nabonassar instituiu para os Egípcios a forma do *annus vagus*, da qual até então não haviam usado, e que por edito sancionou aos Egípcios os meses plenos com os dias *Epagomeni*. A nós, profanos, consta que no Egito nenhum rei babilônico pôs o pé até Nabonassar; e que durante quase dois milênios antes do primeiro Thoth de Nabonassar, nenhuma outra forma de ano teve os Egípcios senão aquela de que se servem os que costumam datar as observações a partir do primeiro Thoth de Nabonassar. Como, pois, Nabonassar teria prescrito aos Egípcios a forma do ano, se os Egípcios naquele século já tinham o mesmo ano e — o que é capital — tinham seus próprios reis? Pois Nabonassar, desertando dos Medos, que detinham o império na Ásia, arrebatou o reino em Babilônia no ano XX do celebérrimo e potentíssimo rei dos Egípcios, Bocoris, em cujo ano XXXII
ele mesmo...
English
PROLEGOMENA.
...of the beginning. We owe more to him than to Moses) 5608 years ago, in the spring month before the *epocha* of the period of 144 years, on a day to which corresponds the twenty-seventh day of the Caesarean month of April, fourth of the week, on which the luminaries were created. All Astrologers also, if indeed they love the truth, will confess that they were unaware that, starting from different beginnings of periods, different positions of the equinoxes result at the same moment, which dictate that the Sun is now at 27 April, now at 27 May at the same time when storks and swallows announce their arrival to us; lest these abandon their accustomed stations, I am the author of the proposal that one use only that period which unfolds in a cycle of 592 years. Otherwise, instead of the horns of Aries, they will run into the horns of Taurus. But again I cannot dissemble my astonishment. For above we said that in the first year of the prophetic World the equinox fell on 23 April, *feria septima*. Here, however, it is four days later. Why not? If at the same moment it was at 27 May, what prevents it from being there too, wherever any period pitches its camp? It must be tested whether that period, drawn from 27 April, leads us by the hand to the equinox of Nabonassar, which we said above coincided with 28 March, in the prophetic year of the world 3258. Five periods had passed, to which 25 leap-days correspond, and there remain 298 years, in which two further leap-days are gathered. Altogether 27 leap-days result, which, deducted from 27 April, leave the head of the year at 31 March, three days after the equinox. Again, in the prophetic year of the World 1772, the equinox was at 8 April, whence the beginning of the Babylonian Semiramis *epocha*. Three periods, less four years, had passed. Accordingly, the fifteen leap-days that result, deducted from 27 April, end at 12 April, four days after the equinox. If therefore the leap-days of any period, added to noon of 10 March, constitute the equinox of the first year of creation, then the leap-days of the second period will set it on 17 April. For from the first prophetic year of creation to the year 5609, twelve periods passed with 233 years, in which nearly 38 leap-days are reckoned, which, computed from 10 March, end on 17 April. Thus, of these three divine periods, the first sets the equinox at 27 May, the second at 27 April, the third at 17 of the same. Io triumph! Long live the prophets! May Scaliger's reasonings, less probable — that is, inept — be beaten down. Thus far we have set forth piecemeal the prophetic doctrine of times, by which the Scaligerian reasonings, less probable and inept, are battered with a most powerful ram. And there is no doubt that they have already collapsed. With such impetus this Demetrius πολιορκητής (the besieger) attacked them, that no longer may frequent contentions between the prophets and Scaliger arise, who has only unhappily come to grips with him.
Lightly armed with naked sword and inglorious white shield.
If I wished to relate everything, there would be no end to writing. The remaining prodigies, and especially those in which he reproaches me — although it would be better to pass them all over in silence — yet to gather a few from many will neither be a burden to us nor a tedium to the Readers. For they are amusing, and worthy of Democritus: such as that which he repeats in more than six or seven places, that Nabonassar was the prince of astrologers of his age, and that he first of all defined the form of the lunar month, and that from him the doctrine of the lunar year was transmitted to all nations. Because he saw in our work *de emendatione temporum* that no lunar eclipses are produced without the *epocha* of Nabonassar, this most acute man judged from this that Nabonassar — of whom previously he had not even dreamed — had collected those eclipses and shown the form of the lunar month. Hence therefore he made Nabonassar — invader of the Babylonian empire, and perhaps not even knowing letters (for what need has a military man and usurper of another's empire of letters?) — the supreme of astrologers. Therefore, because Ptolemy very often, and Albategnius not rarely, ascribe to Philip the eclipses of stars and other observations, in this way Philip Arrhidaeus too will have been a supreme astrologer. Diocletian also will not be able to escape being the greatest astrologer, since from his *epocha* the commentator of Ptolemy's Theon is wont to date a lunar eclipse and others. But also that excellently and truly: that Nabonassar established for the Egyptians the form of the *annus vagus*, which they had not until then used, and by edict sanctioned for the Egyptians full months with the *Epagomeni*. To us profane it is plain that in Egypt no Babylonian king set foot until Nabonassar; and that for nearly two thousand years before the first Thoth of Nabonassar, the Egyptians had no other form of year than that which they use who are accustomed to reckon observations from the first Thoth of Nabonassar. How then could Nabonassar have prescribed to the Egyptians the form of the year, when the Egyptians in that century had the same year and — what is chief — had their own kings? For Nabonassar, defecting from the Medes who held empire in Asia, seized the kingdom at Babylon in the 20th year of the most celebrated and powerful king of the Egyptians, Bocchoris, in whose 32nd year
he himself...
Latim
PROLEGOMENA.
initium. plus debemus illi, quam Mosi) 5608 ab hinc annis, verno mense ante epocham periodi annorum 144, dici, cui respondet vicesimus septimus dies Caesarei mensis Aprilis, septimanae quarto, quo condita fuerunt luminaria. Hoc quoque omnes Astrologi, siquidem verum amant, sese ignorasse fatebuntur, ex diversis periodorum capitibus diversos eodem momento aequinoctiorum situs esse, quae Soli imperent nunc ad XXVII Aprilis, nunc ad XXVII Mai eodem tempore Ciconijs & Hirundinibus adventum ad nos indicere: quibus, ne consuetas stationes deserant, ego auctor sum, ut ea sola periodo utantur, quae 592 annorum orbe explicatur. Aliter pro cornibus Arietis, cornua Tauri incurrent. Sed rursus stuporem meum dissimulare non possum. Superius enim diximus primo anno Mundi prophetico aequinoctium fuisse in XXIII Aprilis, feria septima. Hic vero quatuor diebus serius est. Quid ni? Si eodem momento erat in XXVII Mai, quid vetat & ibi esse, ubicunque periodus quaelibet illi castra metabitur? Experiendum est, an periodus illa a XXVII Aprilis deducta nos ad aequinoctium Nabonassari manu deducat, quod superius diximus convenisse in XXVIII Martij, anno mundi prophetico 3258. Transierant quinque periodi, quibus XXV bisexta competunt: & residui sunt 298 anni, in quibus duo bisexta collecta sunt. Fiunt omnia XXVII bisexta, quae deducta de XXVII Aprilis relinquunt caput anni in XXXI Martij, triduo post aequinoctium. Rursus anno Mundi prophetico 1772 aequinoctium erat in VIII Aprilis, unde initium Semiramiae Babyloniorum epochae. Transierant tres periodi, minus annis quatuor. Proinde quindecim bisexta, quae excurrunt, de XXVII Aprilis deducta desinunt in XII Aprilis, quatuor diebus post aequinoctium. Si igitur cuiuslibet periodi bisexta ad meridiem X Martij addita primi anni creationis aequinoctium constituunt, ergo bisexta secundae periodi constituent illud in XVII Aprilis. Nam a primo anno creationis prophetico, ad annum 5609, praeterierunt periodi XII, cum annis 233. in quibus colliguntur bisexta pene 38: quae a X Martij putata desinunt in XVII Aprilis. Itaque trium istarum divinarum periodorum prima statuit aequinoctium in XXVII Mai, secunda in XXVII Aprilis, tertia in XVII eiusdem. Io triumphe. Vivant prophetae. Vapulent Scaligeri rationes minus probabiles, id est, ineptae. Hactenus carptim doctrinam temporum propheticam exposuimus, qua rationes Scaligeranae minus probabiles & ineptae validissimo ariete pulsantur. Neque dubium, quin iam corruerint. Tanto impetu Demetrius iste πολιορκητής eas quatere aggressus est, ne amplius frequentes contentiones prophetis cum Scaligero incidant, qui non nisi infeliciter cum eo manum conseruerit
Ense leuis nudo, parmaque inglorius alba.
Si omnia referre vellem, nulla finis scribendi futura esset. Reliqua portenta, & illa praesertim, in quibus nos reprehendit, quanquam omnia melius esset, silentio praeterire, tamen pauca de multis colligere neque nobis oneri, neque Lectoribus fastidio erit. Lepida enim sunt, & Democrito digna, quale illud, quod plusquam sex aut septem locis iterat, Nabonassarum principem astrologorum sui aevi fuisse, eumque primum omnium mensis Lunaris modum definiuisse, & ab eo doctrinam anni Lunaris ad omnes nationes transmissam esse. Quia vidit in nostro opere de emendatione temporum nullas eclipses Lunares sine epocha Nabonassari produci, ex eo acutissimus vir iudicavit, Nabonassarum, quem antea ne in somnis quidem cogitarat, eas eclipses collegisse, & modum mensis Lunaris monstrasse. Hinc igitur Nabonassarum ex invasore Babylonici imperij, & fortasse ne literis quidem scientem (quid enim militari homini, & infessori alieni imperij opus literis?) summum astrologorum fecit. Ergo, quia Ptolemaeus saepissime, & Albatenius non raro, defectiones siderum, & alias observationes a Philippo putant, hoc modo Philippus quoque Aridaeus summus astrologus fuerit. Diocletianus etiam non poterit effugere, quin maximus astrologus fuerit, a cuius epocha defectionem Lunarem, & alias Theo Ptolemaei enarrator putare solet. Sed & illud praeclare & vere, Nabonassarum Aegyptijs anni vagi formam constituisse, qua hactenus usi non fuerint, & menses plenos cum Epagomenis edicto Aegyptijs sanxisse. Nobis profanis constat in Aegypto nullum regem Babylonium pedem posuisse ad Nabonassarum usque: & duobus millibus annorum plus minus ante Thoth primum Nabonassari, nullam aliam anni formam Aegyptijs fuisse, quam eam, qua utuntur ij, qui observationes a Thoth primo Nabonassari putare solent. Quomodo igitur Nabonassarus Aegyptijs anni formam praescripsisset, quum Aegyptij eo saeculo eundem annum, &, quod caput est, suos reges haberent? Nabonassarus enim a Medis deficiens, qui in Asia imperium obtinebant, Babylone regnum arripuit anno XX celeberrimi & potentissimi Aegyptiorum regis Bocchoridis, cuius anno XXXII
ipse
Referencias cruzadas
Eventos astronomicos detectados
- A página é parte dos Prolegomena polêmicos: Scaliger responde ironicamente a um adversário (provavelmente um cronologista 'profético' como Helvico, Bucholzer ou Decker — chamado aqui sarcasticamente 'Demetrius Poliorcetes'). A identidade exata do adversário não é declarada nesta página.
- A frase 'PROLEGOMENA' confirma que esta página pertence à introdução polêmica, não ao corpo técnico do Isagogicorum — portanto não há definições formais de termos cronológicos nesta página.
- O número '5608 ab hinc annis' refere-se à cronologia profética do adversário (do início do mundo até o presente), não à cronologia preferida por Scaliger.
- A citação 'Ense leuis nudo, parmaque inglorius alba' é de Vergílio, Eneida IX.548 (sobre o jovem Hélenor) — Scaliger usa-a ironicamente para descrever o adversário fracamente armado.
- πολιορκητής (poliorketes, 'sitiador de cidades') é alcunha do rei Demétrio I da Macedônia — uso irônico para o adversário.
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