Português
NOTAS.
...que dizem que os escritores gregos e latinos jamais cessaram de mentir.
[Θεοί μιν ἐξ ἀνθρώπων ἀφανίζουσι] "Os deuses os fazem desaparecer dentre os homens." Isto é contra a verdade da história. Pois Noé sobreviveu ao dilúvio três séculos e meio.
[Γεγραπτα ξύλων ἀλεξιφάρμακα] "Escritos de madeira como antídotos." Beroso (refere isto) acerca dos resguardos contra o dilúvio.
[Καὶ Σύριοι πεζῇ] "E os sírios a pé." Que ele esteja tratando da batalha travada com Josias, não há dúvida, e já o tocamos antes em outro lugar. Mas chama o local Magdolo, não Mageddo, como faz a Escritura. O que, como creio, deve-se ao fato de serem vizinhos Magdolo e Mageddo; mas, porque Magdolo era mais célebre, por isso parece que a batalha foi ali travada, assim como aquela que foi combatida em Gaugamela é referida a Arbela, por causa da obscuridade dos Gaugamelos.
[Ἐν Μαγδώλῳ] "Em Magdolo." Está nos confins do Egito, na via que conduz à Palestina. Jeremias XLVI, 14. Estêvão (de Bizâncio): "Magdolo, cidade do Egito. Hecateu na Periegese." Mageddo, porém, é mencionada, bem como a batalha ali infelizmente travada por Josias, em Zacarias XII, 11, onde se fala da planície de Mageddo, e o lugar onde a batalha foi travada, Adadrimon. No Apocalipse é chamado Harmagedom.
[Κάδυτιν] "Cadítis." Não há dúvida de que se tratava da que se chamava קדש (Cades); e que é aquela de que se faz menção em Números XX, 16.
[Μετὰ δ' ἑκκαίδεκα ἔτεα τὰ πάντα] "E depois de dezesseis anos no total." Querem que Necao tenha sido morto na batalha de Carquemis junto ao Eufrates. Mas é falso. Apenas seu exército foi posto em fuga, e ele mesmo afugentado. Pois, após essa batalha, diz-se que não ousou sair dos confins do Egito, porque Nabucodonosor tinha submetido tudo ao seu império, do Nilo até o Eufrates. II Reis XXIV, 7. Mas leia-se o capítulo XLVI de Jeremias. "Percutiu", como ali se diz, não raramente diz-se do que foi posto em fuga, não, porém, do exército inteiramente exterminado.
[Τῷ παιδὶ Ψάμμι παραδοὺς τὴν ἀρχήν] "Tendo entregado o reino ao filho Psâmis." Necao reinou XVI anos, Psâmis seu filho VI, Aprias XXV. A soma 47, deduzida do ano 168 de Nabonassar — no qual Diodoro escreve que Amásis começou a reinar — deixa o ano 121 de Nabonassar como o primeiro de Necao. Portanto, ele morreu no ano 137 de Nabonassar, por volta do início (do reinado) de Joaquim, rei de Judá. Mas ele foi posto em fuga por Nabucodonosor no lugar de Carquemis, no quarto ano de Joaquim. Deve-se, portanto, ver de quem é a culpa, de Heródoto ou de Diodoro. Pois certamente é culpa de um dos dois. Lembramo-nos de termos seguido outra forma de cálculo destes tempos nos Prolegômenos. Mas esta é a mais verdadeira. Pois ali tomamos o início (do reinado) de Amásis a partir da Olimpíada LV completa, quando devíamos tê-lo tomado a partir da que se iniciava. Poderia também aqui ser acrescentado o passo sobre Senaqueribe em Heródoto, cuja história os Sacerdotes Egípcios transmitiram a Heródoto obscurecida em muitas partes. Mas deve-se recorrer a Josefo, escritor fidelíssimo, diligentíssimo e eruditíssimo, livro décimo, capítulo primeiro. Mas porque o passo já está mutilado desde antigamente, a ponto de nem mesmo Rufino ter encontrado um íntegro, proporei primeiro a lição vulgada, que Rufino seguiu, e depois suprirei o lugar. "Παραρχθεὶς ὂν ὑπὸ τούτων ὁ βασιλεύς..." etc. ("Tendo sido o rei desviado por estes, dizia ir guerrear contra o sacerdote de Hefesto, dado que o rei, indo contra o rei dos Egípcios, sendo este sacerdote de Hefesto, sitiando Pelúsio", etc.) O lugar é mutilado, como aparece mesmo a um medianamente douto. Aqui aduziria a interpretação de Rufino, para que o leitor veja quão antigos são os erros que se enraizaram neste preeminentíssimo escritor; se eu pudesse ler aquele inteiramente inepto intérprete sem revolta de estômago: cuja, todavia, foi a impudência tão grande que não hesitou em medir armas com o grande varão Jerônimo. Mas para que poucos Jerônimos...
(continua) estas
English
NOTES.
...who say that the Greek and Latin writers never ceased lying.
[Θεοί μιν ἐξ ἀνθρώπων ἀφανίζουσι] "The gods make them vanish from among men." This is against the truth of history. For Noah survived the flood three and a half centuries.
[Γεγραπτα ξύλων ἀλεξιφάρμακα] "Wooden inscriptions as remedies." Berosus refers this to the safeguards against the deluge.
[Καὶ Σύριοι πεζῇ] "And the Syrians on foot." That he is treating of the battle fought with Josiah, there is no doubt, and we have already touched on it elsewhere above. But he calls the place Magdolum, not Mageddo, as Scripture does. Which, I believe, is because Magdolum and Mageddo were neighbors; but since Magdolum was more famous, for that reason the battle is said to have been fought there—just as the one fought at Gaugamela is referred to Arbela, because of the obscurity of Gaugamela.
[Ἐν Μαγδώλῳ] "At Magdolum." It is on the borders of Egypt, on the road leading to Palestine. Jeremiah XLVI, 14. Stephanus (of Byzantium): "Magdolum, a city of Egypt. Hecataeus in his Periegesis." Mageddo, however, is mentioned, as well as the battle unfortunately fought by Josiah at that place, in Zechariah XII, 11, where the plain of Mageddo is named, and the place where the battle was joined, Adadrimon. In the Apocalypse it is called Armageddon.
[Κάδυτιν] "Cadytis." There is no doubt that it was that which was called קדש (Kadesh); and that it is the one mentioned in Numbers XX, 16.
[Μετὰ δ' ἑκκαίδεκα ἔτεα τὰ πάντα] "And after sixteen years in all." They hold that Necho was killed in the battle at Carchemish near the Euphrates. But this is false. Only his army was routed, and he himself put to flight. For after that battle he is said not to have dared to go beyond the borders of Egypt, because Nebuchadnezzar had subjected everything to his empire, from the Nile to the Euphrates. II Kings XXIV, 7. But read chapter XLVI of Jeremiah. "He smote," as is said there, is often said of one put to flight, not however of an army wholly slain.
[Τῷ παιδὶ Ψάμμι παραδοὺς τὴν ἀρχήν] "Having handed over the rule to his son Psammis." Necho reigned XVI years, Psammis his son VI, Apries XXV. The sum of 47, deducted from the year 168 of Nabonassar—in which Diodorus writes that Amasis began to reign—leaves the year 121 of Nabonassar as the first of Necho. Therefore he died in the year 137 of Nabonassar, around the beginning (of the reign) of Jehoiakim, king of Judah. But he was routed by Nebuchadnezzar at Carchemish in the fourth year of Jehoiakim. We must therefore see whose fault it is, Herodotus's or Diodorus's. For certainly it is the fault of one of them. We recall that in the Prolegomena we followed a different calculation of these times. But this is the truest. For there we took the beginning of Amasis from the completed 55th Olympiad, when we ought to have taken it from the one then beginning. The passage about Sennacherib in Herodotus could also be added here—whose history the Egyptian priests transmitted to Herodotus obscured in many parts. But one should consult Josephus, a most faithful, most diligent, and most learned writer, in book ten, chapter one. But because the passage has long been mutilated, so that not even Rufinus obtained it whole, I shall first set forth the common reading, which Rufinus followed, and then supply the passage. "Παραρχθεὶς ὂν ὑπὸ τούτων ὁ βασιλεύς..." etc. ("The king, having been led astray by these, said he would march against the priest of Hephaestus, since the king, coming against the king of the Egyptians, who was a priest of Hephaestus, while besieging Pelusium," etc.) The passage is mutilated, as is apparent even to one moderately learned. I would add here the interpretation of Rufinus, that the reader might see how ancient are the errors that have taken root in this most outstanding writer—if I could read that utterly unskilled translator without disgust: yet his impudence was so great that he did not hesitate to cross swords with that great man Jerome. But that few Jeromes...
(continued) these
Latim (transcrito)
NOTAE.
qui Graecos & Latinos scriptores nunquam desiisse mentiri dicunt.
Θεοί μιν ἐξ ἀνθρώπων ἀφανίζουσι] Hoc adversus historiae veritatem. Nam diluvio supervixit Noe tria saecula cum dimidio.
Γεγραπτα ξύλων ἀλεξιφάρμακα] Berosus πρὸς τοὺς ἀποβρηπιασμοὺς.
Καὶ Σύριοι πεζῇ] Quod de praelio cum Iosia commisso agat, nullum dubium est, & iam supra alibi attigimus. Sed locum vocat Magdolum, non Mageddo, ut Scriptura. quod, ut credo, vicina erant, Magdolum, & Mageddo: sed quia Magdolum celebrius, ob id pugna ibi commissa esse videtur, ut ea, quae ad Gaugamela pugnata est, refertur ad Arbela, propter obscuritatem Gaugamelorum.
Ἐν Μαγδώλῳ] Est in finibus Aegypti, via quae Palaestinam ducit. Ieremiae XLVI, 14. Stephanus. Μάγδωλος, πόλις Αἰγύπτου. Ἑκαταῖος περιηγήσει. Mageddo autem meminit, & pugnae ad eum locum infeliciter ab Iosia commissae, Zacharias XII, 11. ubi dicitur planities Mageddo, & locus, ubi pugna commissa, Adadrimon. In Apocalypsi vocatur Harmageddon.
Κάδυτιν] Non dubium est, quin קדש fuerit dicta; eamque esse, cuius mentio Numerorum XX, 16.
Μετὰ δ' ἑκκαίδεκα ἔτεα τὰ πάντα] Volunt Nechao interfectum fuisse in praelio ad Carcamis iuxta Euphratem. Sed falsum est. Fusus tantum fuit eius exercitus, & ipse fugatus. Nam post id praelium dicitur non ausus fuisse egredi finibus Aegypti, quod Nabuchodonosor omnia imperio suo subiecisset, a Nilo, ad Euphratem. II Reg. XXIIII, 7. Sed lege cap. XLVI Ieremiae. Percussit, quod dictum est, non raro de fugato, non autem caeso toto exercitu dicitur.
Τῷ παιδὶ Ψάμμι παραδοὺς τὴν ἀρχήν] Nechao regnavit annis XVI, Psammis eius filius VI, Aprias XXV. Summa 47 deducta de anno 168 Nabonassari, quo Amasim coepisse regnare scribit Diodorus, relinquitur annus 121 Nabonassari, primus Nechao. Ergo obierit anno 137 Nabonassari circa initium Ioiakim Regis Iudae. Atqui fusus est a Nabuchodonosoro in loco Carcamis, anno quarto Ioiakim. Videndum igitur, utrius culpa sit, Herodoti, an Diodori. Nam certe alterutrius culpa est. Meminimus nos aliter in Prolegomenis rationem horum temporum iniisse. Sed haec verissima est. Ibi enim ab exacta Olympiade LV initium Amasis sumpsimus, cum deberemus ab ineunte. Poterat & hic adiici locus de Sennacheribo apud Herodotum. cuius historiam Sacerdotes Aegyptii multis partibus obscuratam Herodoto tradiderunt. Sed adeundus est Iosephus fidissimus, diligentissimus, & eruditissimus scriptor, libro decimo, capite primo. Quia vero mutilus est locus iam antiquitus, ut ne Ruffinus quidem nactus sit integrum, proponam primum lectionem vulgatam, quam secutus est Ruffinus, deinde locum supplebo. Παραρχθεὶς ὂν ὑπὸ τούτων ὁ βασιλεύς, ἐπὶ τὸν ἱερέα τοῦ Ἡφαίστου στρατεῦσαι ἔλεγεν, ὡς ὅτι ὁ βασιλεὺς ἐπὶ τὸν τῶν Αἰγυπτίων βασιλέα ἐλθὼν ἱερέα ὄντα τοῦ Ἡφαίστου. πολιορκῶν δὲ τὸ Πηλούσιον, &c. Locus mutilus, ut & mediocriter docto apparet. Adferrem huc interpretationem Ruffini, ut lector videat, quam vetustae sint mendae, quae huic praestantissimo scriptori inoleuerunt; si sine stomacho imperitissimum illum interpretem legere possem: cuius tamen tanta impudentia fuit, ut cum summo viro Hieronymo manum conserere non dubitarit. Sed ut paucos Hieronymos
haec
- Citação grega 'Παραρχθεὶς ὂν ὑπὸ τούτων' apresenta dificuldade de leitura — a primeira palavra pode ser leitura incerta; mantida como impressa.
- Termo 'ἀποβρηπιασμοὺς' parece corrupção tipográfica; possivelmente deve ler-se algo como 'ἀποτροπιασμοὺς' (apotropaísmos/preservativos), traduzido pelo sentido.
- Citação 'II Reg. XXIIII, 7' — XXIIII = 24, conferido.
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