De Emendatione Temporum · Joseph Scaliger (1583)
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Português

Os judeus interpretam [חשמנים] "príncipes" a partir do Salmo LXVIII. Rabi Kimhi e outros mais antigos que ele dizem que Matatias, sumo pontífice, o progenitor, assim foi chamado. Mas nem aquele Matatias foi assim cognominado, nem foi sumo sacerdote, mas sacerdote da plebe, da turma sacerdotal de Joarim, e dos montanheses de Modim. O mesmo abuso há no nome dos Macabeus. Pois somente Judas, filho de Matatias, foi cognominado Macabeu. Mas os gregos chamam Macabeus sete adolescentes que foram torturados com suplícios por Antíoco, em cujo nome existe o livrinho áureo de Josefo com o título [εἰς τοὺς Μακαβαίους] "sobre os Macabeus". Mas quem concederia que aqueles fossem assim chamados, quando apenas um, como disse, Judas, da linhagem sacerdotal, foi assim cognominado? O mesmo abuso novamente se dá no terceiro livro dos Macabeus, que por inteiro diz respeito aos judeus [ἑλληνιστὰς] "helenistas" e aos egípcios, e não à casa dos Hasmoneus. Portanto é manifesto que [πάντας τοὺς ὑπὲρ τῆς θρησκείας διωκομένους] "todos os perseguidos por causa da religião" foram chamados Macabeus tanto pelos helenistas quanto pelos primeiros cristãos.

SOBRE A ERA DOS TÍRIOS.

Quinto Cúrcio, no livro IV, sobre Tiro tomada por Alexandre: "Arruinada por muitas desgraças e renascida após a destruição, agora, contudo, descansa sob a tutela da mansidão romana, que tudo reanima com longa paz." Indica colonos que foram para ela conduzidos pelos romanos: o que Ulpiano, no tratado Sobre os Censos, mostra claramente: "Deve-se saber que há certas colônias de direito itálico, como é na Síria Fenícia a esplendidíssima colônia dos Tírios, donde é minha origem, nobre pelas regiões, antiquíssima pela série dos séculos, poderosa nas armas, tenacíssima no tratado que firmou com os romanos. Pois a ela o Divino Severo e nosso Imperador, por causa da insigne fidelidade para com a república e o império romano, concederam o direito itálico." Ora, os tírios contavam seus anos a partir da dedução da colônia, e por essa era assinalavam seus Fastos e todos os atos legais, não de outro modo que várias outras colônias, como mostramos acima sobre Interâmna, Nápoles, Ravena e outras, e consta-nos também sobre Lugduno. O tempo, pois, da dedução da colônia, e portanto da era dos Tírios, colhe-se das atas do Sínodo de Calcedônia, Ação IX, na qual assim está escrito: LIBELO QUERULOSO DE IBAS, BISPO DE EDESSA: "Após o Consulado de Flávio Zenão e de Postumiano, varões veneráveis, cônsules, no quinto dia antes das Calendas de Março, na Colônia de Tiro, clarissíma Metrópole Consular, no ano quingentésimo septuagésimo quarto, no dia décimo do mês Perício, segundo os romanos, porém, no vigésimo quinto de Fevereiro, na primeira indicção." E os cônsules e a indicção indicam o ano de Cristo 448. Era, pois, ano do período

English

The Jews interpret [חשמנים] as "princes" on the basis of Psalm LXVIII. Rabbi Kimhi and others older than he say that Matthathias, the high priest, the progenitor, was so called. But neither was that Matthathias so surnamed, nor was he a high priest, but a priest of the common rank, from the priestly course of Joarim and the highlanders of Modin. The same abuse occurs in the name of the Maccabees. For only Judas, son of Matthathias, was surnamed Maccabee. But the Greeks call "Maccabees" the seven youths who were tortured by Antiochus, in whose name Josephus's golden little book survives with the title [εἰς τοὺς Μακαβαίους] "On the Maccabees." But who would grant that those were so called, since only one, as I said, Judas, of priestly descent, was so surnamed? The same misuse appears again in the third book of Maccabees, which wholly concerns the Jewish [ἑλληνιστὰς] "Hellenists" and Egyptians, and not the house of the Hasmoneans. Therefore it appears that [πάντας τοὺς ὑπὲρ τῆς θρησκείας διωκομένους] "all those persecuted on behalf of religion" were called Maccabees both by the Hellenists and by the earliest Christians.

ON THE ERA OF THE TYRIANS.

Quintus Curtius, in book IV, on Tyre captured by Alexander: "Ruined by many misfortunes and reborn after its destruction, it now however rests under the guardianship of Roman clemency, which restores all things with long peace." He implies that colonists were led there by the Romans: which Ulpian clearly shows in his work On Censuses: "It must be known that there are certain colonies of Italic right, such as in Syrian Phoenicia the most splendid colony of the Tyrians, whence is my origin, noble in its regions, most ancient in the succession of ages, mighty in arms, most tenacious in the treaty which it struck with the Romans. For to it the Divine Severus and our Emperor gave Italic right on account of its signal fidelity to the commonwealth and to the Roman Empire." Now the Tyrians reckoned their years from the settlement of the colony, and by that era marked their Fasti and all legal acts, no differently than most other colonies, as we showed above concerning Interamna, Neapolis, Ravenna and others, and as is also known to us concerning Lugdunum. The time therefore of the founding of the colony, and thus of the era of the Tyrians, is gathered from the acts of the Council of Chalcedon, Action IX, in which it is thus written: QUERULOUS PETITION OF IBAS, BISHOP OF EDESSA: "After the Consulate of Flavius Zeno and Posthumianus, venerable men, Consuls, on the fifth day before the Kalends of March, in the Colony of Tyre, most illustrious Consular Metropolis, in the year five hundred seventy-fourth, on the tenth day of the month Peritius, but according to the Romans on the twenty-fifth of February, in the first indiction." And the Consuls and the indiction indicate the year of Christ 448. It was therefore a year of the period

Latim (transcrito)

Iudaei חשמנים interpretantur principes ex LXVIII Psalmo. Rabbi Kimhi, & alii eo antiquiores, quod Matthathias summus Pontifex, inquiunt, progenitor ita vocatus sit. At neque ita cognominatus fuit ille Matthathias, neque fuit summus sacerdos, sed sacerdos de plebe, ex ephemeria Ioarim, & montanis Modim. Idem abusus in nomine Macabaeorum. Iudas enim filius Matthathiae solus cognominatus fuit Macabaeus. At Graeci Macabaeos vocant septem adolescentes, qui ab Antiocho tormentis excruciati sunt, quorum nomine extat Iosephi liber aureolus titulo εἰς τοὺς Μακαβαίους. Sed quis concedat illos ita vocatos, cum unus tantum, ut dixi, Iudas de gente sacerdotali ita cognominatus fuerit? Idem rursus abusus in tertio libro Macabaeorum, qui totus pertinet ad Iudaeos ἑλληνιστὰς, & Aegyptienses, non autem ad domum Hasmunaeorum. Ergo apparet πάντας τοὺς ὑπὲρ τῆς θρησκείας διωκομένους vocatos Macabaeos tam ab Hellenistis, quam a primis Christianis.

DE EPOCHA TYRIORUM.

Q. Curtius libro IIII de capta Tyro ab Alexandro: Multis ergo casibus defuncta & post excidium renata, nunc tamen longa pace cuncta refovente sub tutela Romanae mansuetudinis acquiescit. Colonos in eam deductos a Romanis innuit: quod perspicue ostendit Ulpianus de Censibus: Sciendum est, esse quasdam colonias iuris Italici, ut est in Syria Phoenice splendidissima Tyriorum colonia, unde mihi origo est, nobilis regionibus, serie saeculorum antiquissima, armipotens, foederis, quod cum Romanis percussit, tenacissima. Huic enim Divus Severus, & Imperator noster ob egregiam in rempublicam, imperiumque Romanum insignem fidem, ius Italicum dedit. A deducta autem colonia annos suos putabant Tyrii, eaque epocha Fastos suos, & omnes actus legitimos signabant, non aliter ac pleraeque aliae coloniae, ut supra ostendimus de Interamna, Neapoli, Ravenna, & aliis, & de Lugduno nobis quoque constat. Tempus igitur deductae coloniae, atque adeo Tyriorum aerae colligitur ex actis Synodi Chalcedonensis, Actione IX, in qua ita scriptum exstat: IBAE EDESSENAE EPISCOPI LIBELLUS QUERULOSUS: Post Consulatum Flavii Zenonis, & Posthumiani venerandorum virorum Consulum, sub die quinto Kalendarum Martiarum in Colonia Tyro clarissima Metropoli Consulari, anno quingentesimo septuagesimo quarto, mensis Peritii die decima, secundum Romanos autem Februarii quinta & vigesima, indictione prima. Et Consules & indictio produnt annum Christi 448. Erat igitur annus periodi

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Notas do tradutor: Página abre encerrando discussão sobre o nome 'Macabeus' e inicia nova seção DE EPOCHA TYRIORUM. Cita Q. Cúrcio IV, Ulpiano (De Censibus), e as atas do Concílio de Calcedônia (Ação IX) com o libelo de Ibas de Edessa. A data tíria 574 = 25 de fevereiro de 448 d.C. (Cons. Zenão e Postumiano, indicção I) é fundamental para Scaliger estabelecer a era de Tiro. O texto termina no meio da frase: 'Erat igitur annus periodi...' (continua na página seguinte).

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