De Emendatione Temporum · Joseph Scaliger (1583)
📄 Ver scan original (p.61)

Português

...filho dele Evilmerodaque, no terceiro ano de seu reinado, é morto por Nerigliossororo, marido de sua irmã. Nerigliossororo, tendo reinado quatro anos, deixou o reino a seu filho Laborosoarcodo, neto de Nabucodonosor por via da filha; morto este após nove meses, o reino foi entregue por comum consentimento do povo a um certo Nabonido, um dos seus próprios assassinos. Assim relata Beroso. Tudo isso concorda com a Sagrada Escritura, desde que seja auxiliado pela interpretação. Pois, na verdade, nada discrepam. Morto Evilmerodaque, não há dúvida de que Nerigliossororo persuadiu o povo de que conservaria o reino para seu filho, neto de Nabucodonosor pela filha, até que atingisse a idade adulta: para que, se o povo tivesse alguma saudade de Evilmerodaque por causa da memória de Nabucodonosor, tudo isso fosse abrandado ao verem que ainda restava da estirpe de Nabucodonosor quem se sentasse em seu trono. E não há dúvida de que, embora de fato fosse ele o rei, administrava o reino em nome do filho. Com efeito, Jeremias, no capítulo XXVII, 7, disse que todas as gentes estariam sujeitas ao império de Nabucodonosor, de seu filho e do filho de seu filho. Embora fosse neto por via da filha, ainda assim sob o nome de filhos compreendem-se também as filhas. Pois, assim como os latinos sob o nome de 'liberi' (filhos), também os hebreus sob o nome בן (ben) compreendem ambos os sexos. Laborosoarcodo, portanto, é Belsazar. A ele sucede Nabonido, que, tendo reinado dezessete anos, feita a rendição, foi privado do reino e relegado à Carmânia por Ciro, como diz Beroso. Megástenes, porém, eminente escritor, assim escreve sobre Nabucodonosor: [ὁ δὲ ὁ παῖς Εὐιλμαδούρχος ἐβασίλευσε...] "Seu filho Evilmadurco reinou. Ao qual, tendo sido morto pelo cunhado Nerigliossóris, este deixou um filho, Labassoadéraco. Tirando-o também da vida por morte violenta, proclamam rei Nabonidoco, que em nada lhe era parente. Tomada a Babilônia por Ciro, este lhe concede o governo da Carmânia." Nisso concordam ambos os escritores. Mas pouco antes, o mesmo Megástenes diz que um certo de nome Medo entregou os cidadãos a Ciro, isto é, ofereceu Babilônia a Ciro para ser saqueada, e a si próprio procurou salvação pela fuga, tendo-se recolhido à fortíssima cidadela dos Borsipenos. Beroso atribui isso a Nabonido. Portanto Nabonido era chamado Medo, último rei de Babilônia, feito rei pelos sufrágios do povo. Em Daniel o último rei é chamado Medo, e foi feito rei pelos sufrágios do povo. Portanto, Dario o Medo é Nabonido. A este Ciro, no ano XVII do mesmo Dario, vencido em batalha, o compeliu à cidadela de Borsipa. Entretanto, o próprio Ciro, tendo-se apoderado de Babilônia no décimo nono ano de seu império, dedicou algum tempo a organizar as coisas, e derrubou todas as fortificações da cidade, que tomara com longo assédio e supremo labor, como escreve Beroso. Feito isso, voltou a atenção para conquistar Borsipa. Mas Nabonido, feita a rendição da cidadela, foi agraciado com a vida e a província da Carmânia. Entrementes, perseguindo os restos da guerra,

English

...his son Evilmerodach, in the third year of his reign, is killed by Neriglissoros, the husband of his sister. Neriglissoros, having reigned four years, left the kingdom to his son Laborosoarchod, grandson of Nebuchadnezzar through his daughter; this one being killed after nine months, the kingdom was handed over by common consent of the people to a certain Nabonidus, one of his own assassins. Thus Berosus. All of which agrees with Sacred Scripture, provided it be aided by interpretation. For indeed they do not disagree at all. For once Evilmerodach was killed, there is no doubt that Neriglissoros persuaded the people that he would preserve the kingdom for his son, grandson of Nebuchadnezzar through his daughter, until he came of age: so that if the people had any longing for Evilmerodach because of the memory of Nebuchadnezzar, it might all be soothed when they saw that there still survived from the stock of Nebuchadnezzar one who should sit on his throne. Nor is there any doubt that, although he was in fact the king, he administered the kingdom in his son's name. Indeed Jeremiah in chapter XXVII, 7, said that all nations would be subject to the empire of Nebuchadnezzar, his son, and his son's son. Although the grandson was through the daughter, nevertheless under the name of sons daughters too are included. For just as the Latins under the name 'liberi' (children), so the Hebrews under the name בן (ben) include both sexes. Laborosoarchod therefore is Belshazzar. He is succeeded by Nabonidus, who, having reigned seventeen years, upon surrender was stripped of the kingdom and relegated to Carmania by Cyrus, as Berosus says. Megasthenes, however, an outstanding writer, writes thus concerning Nebuchadnezzar: [ὁ δὲ ὁ παῖς Εὐιλμαδούρχος ἐβασίλευσε...] "His son Evilmadurchus reigned. When he had been killed by his brother-in-law Neriglisores, the latter left a son, Labassoaderacus. And when he too had been removed from life by a violent death, they proclaim as king Nabonnidochus, who was in no way related to him. And when Cyrus took Babylon, he grants him the governorship of Carmania." In which both writers agree. But a little before, the same Megasthenes says that a certain man named Medus handed over the citizens to Cyrus, that is, offered Babylon up to Cyrus to be plundered, and secured his own safety by flight, when he had withdrawn into the very strong citadel of the Borsippans. Berosus attributes this to Nabonnidus. Therefore Nabonnidus was called Medus, the last King of Babylon, made king by the votes of the people. In Daniel the last king is called Medus, and was made king by the votes of the people. Therefore Darius the Mede is Nabonnidus. Cyrus, in the seventeenth year of this same Darius, defeated him in battle and drove him into the citadel of Borsippa. Meanwhile Cyrus himself, having taken possession of Babylon in the nineteenth year of his reign, devoted some time to setting affairs in order, and demolished all the fortifications of the city which he had taken with long siege and supreme labor, as Berosus writes. These things being accomplished, he turned his mind to storming Borsippa. But Nabonnidus, upon the surrender of the citadel, was granted both his life and the province of Carmania. Meanwhile, pursuing the remnants of the war,

Latim (transcrito)

lius eius Hevvilmerodach, anno tertio regni, a Neriglissororo, sororis suae viro, interficitur. Neriglissororus cum quatuor annos regnasset, filio suo Laborosoarchodo, Nabuchodonosori ex filia nepoti regnum reliquit: quo interfecto post menses novem, regnum Nabonido cuidam, uni ex interfectoribus ipsius, communi consensu populi traditum est. Haec Berosus. Quae omnia sacrae scripturae conveniunt, si modo adiuventur interpretatione. Nam profecto nihil discrepant. Interfecto enim Hevvilmerodacho, non est dubium Neriglissororum populo persuasisse, se filio suo Nabuchodonosori ex filia nepoti regnum conservare, donec adolesceret: ut si quod desiderium populo esset Hevvilmerodachi propter Nabuchodonosori memoriam, id omne leniretur, cum viderent ex stirpe Nabuchodonosori adhuc superesse, qui in eius solio federent. Neque dubium est, quamvis re ipsa rex esset, nomine tamen filii regnum administrasse. Sane Ieremias cap. XXVII, 7, dixit omnes gentes subiectas fore imperio Nabuchodonosori, filio eius, & filio filii. Quamvis ex filia esset nepos, tamen filiorum nomine etiam filiae comprehenduntur. Nam ut Latini liberorum nomine, sic Hebraei nomine בן utrumque sexum comprehendunt. Laborosoarchodus igitur est Balsasar. cui succedit Nabonidus, qui cum annos XVII regnasset, deditione facta exutus regno, Carmaniam relegatus est a Cyro, ut ait Berosus. Megasthenes autem eximius scriptor ita scribit de Nabuchodonosoro: ὁ δὲ ὁ παῖς Εὐιλμαδούρχος ἐβασίλευσε. τὸν δ᾽ ὁ κηδεστὴς ἀποκτείνας Νηριγλίοσδρης λείπει παῖδα Λαβασσοαδέρασκον. τοῦτον δὲ ἀπολλύοντος βιαίῳ μόρῳ, Ναβοννίδοχον ἀποδείξουσι βασιλέα προσήκοντά οἱ οὐδέν. τῷ δὲ Κύρῳ ἑλὼν Βαβυλῶνα Καρμανίης ἡγεμονίαν δωρεῖται. in quo utrique scriptori convenit. Sed paulo antea idem Megasthenes quendam Medem nomine cives Cyro dedidisse dicit, id est, Babylonem diripiendam Cyro propinasse, sibi autem fuga salutem peperisse, cum in munitissimam Borsippenorum arcem se recepisset. Berosus hoc attribuit Nabonnido. Nabonnidus igitur vocatus erat Medes, ultimus Rex Babylonis, suffragiis populi rex creatus. Apud Danielem ultimus rex vocatur Medes, & creatus est suffragiis populi. Darius igitur Medes est Nabonnidus. Hunc Cyrus anno XVII ipsius Darii, praelio victum, in arcem Borsippenam compulit. Interea ipse Cyrus Babylone potitus anno imperii sui XIX, aliquod tempus rebus componendis dedit, & omnia urbis munimenta, quae longa obsidione, & summo labore ceperat, disturbavit, ut scribit Berosus. His ita gestis, ad Borsippum expugnandam animum convertit. Sed Nabonnidus, arcis deditione facta, & vita & provincia Carmania donatus est. Interea reliquias belli persequens

Flags de incerteza (pontos para revisão humana)
Notas do tradutor: Continuação da discussão sobre os últimos reis da Babilônia, identificando Laborosoarcodo com Belsazar e Nabonido com Dario o Medo de Daniel. Cita Beroso, Megástenes e Jeremias 27:7. A palavra hebraica בן (ben, 'filho') é transcrita no original.

Encontrou um erro nesta página?

Esta tradução é texto-semente gerado por IA — erros são esperados e correções são bem-vindas. Há três caminhos:

Reportar erro no GitHub Anotar via Hypothes.is Como contribuir